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Doutor, labirintite tem cura?
 
- Ricardo Ferreira Bento
- Roseli Bittar

O que é labirintite?

"Labirintite" é um termo popular, usado geralmente para designar distúrbios relacionados ao nosso equilíbrio e audição. Sendo assim, uma "labirintite" pode significar tontura, vertigens, zumbido, desequilíbrio e varias outras formas de mal estar. Na verdade, o termo correto a ser usado é "labirintopatia", que significa "doença do labirinto".

Nosso ouvido possui dois componentes distintos: a cóclea (ou caracol), que é responsável pela nossa audição e o vestíbulo, que é responsável pelo nosso equilíbrio. Juntos, cóclea e vestíbulo formam o labirinto. O comprometimento desses componetes, individual ou separadamente, vai provocar sintomas como tonturas, desequilíbrio, surdez ou zumbido.

Esses sintomas aparecem porque nosso cérebro recebe informações erradas a respeito da nossa posição no espaço, geradas pelo labirinto doente, e como resultado, temos uma "alucinação de movimento". Essa alucinação pode sugerir que estamos rodando (vertigem), caindo (desequilíbrio), sendo empurrados (desvio de marcha), flutuando (falta de firmeza nos passos) ou ouvindo assobios, motores, etc.(zumbido).

Quais são as causas das doenças do labirinto?

São várias as causas das doenças labirínticas. As vezes tonturas e vertigens podem significar o primeiro sinal de alguma doença importante. Nosso ouvido é um consumidor voraz de energia e depende de suprimento constante de açúcar e oxigênio. Qualquer fator que impeça a chegada ou o consumo adequado desses elementos, é gerador de tontura. O exemplo mais clássico disso é a tontura que acontece após ficarmos muito tempo em jejum.

Entre as inúmeras causas de problemas labirínticos podemos citar:

-doenças pré-existentes como diabetes, hipertensão, reumatismos, etc. -utilização de drogas que chamamos ototóxicas, como alguns antibióticos e antiinflamatórios que alteram as funções do ouvido. -alterações bruscas da pressão barométrica, como no mergulho e nos aviões. -infecções por vírus ou bactérias. -alterações do metabolismo orgânico. -doenças próprias do ouvido. -hábitos, como o excesso de cafeína, tabagismo, álcool ou drogas. aterosclerose. -traumas sonoros. -problemas de coluna cervical e articulação da mandíbula. -stress e problemas psicológicos. -Traumatimos na cabeça.

As crianças podem ter problemas do labirinto?

Sim. Embora todas as causas referidas anteriormente sejam mais freqüentes no adulto, podem ocorrer também na criança.

Você deve consultar um médico otorrinolaringologista, especialista em doenças do labirinto, se o seu filho apresenta dificuldade em participar das brincadeiras que outras crianças da mesma idade realizam com facilidade. A criança com problemas de equilíbrio têm dificuldade para andar de bicicleta, pular amarelinha, pular elástico e qualquer brincadeira que precise de um controle postural mais elaborado.

Dificilmente a criança se queixa de tontura. Geralmente é a mãe que observa as alterações de comportamento, o isolamento da criança dos amiguinhos, dificuldade escolar, embora sua inteligência seja normal.

Como é feito o tratamento das labirintopatias?

O tratamento pode ser dividido em três fases:

Tratamento dos sintomas. Tratamento da causa Reabilitação do labirinto.

1. Tratamento dos sintomas

A primeira parte do tratamento consiste em aliviar o sintoma: a tontura.

Para isso, são utilizados medicamentos sedativos bem como repouso quando necessário.

Os medicamentos hoje disponíveis podem ser agrupados em moduladores de fluxo sangüíneo, vasodilatadores, bloqueadores de canais de cálcio, anticonvulsivantes, antidepressivos, etc. Cada uma dessas drogas tem local diferente de atuação, bem como diferentes indicações. Uma droga que funciona muito bem no jovem, pode ser contraindicada no idoso e assim por diante. Nenhum desses medicamentos é isento de efeitos colaterais, portanto não aceite medicação de leigos, procure o seu médico otorrinolaringologista.

O tempo de tratamento vai depender da causa da doença e da sensibilidade individual do paciente.

. Tratamento da causa

O tratamento da causa é aquele que investiga e trata o problema que gerou a doença do labirinto. O tratamento sintomático produz alívio dos sintomas, mas eles podem voltar se sua etiologia não for tratada.

O tratamento etiológico está baseado na investigação dos fatores de risco, que são os problemas metabólicos, infecciosos, reumáticos e anatômicos. Depois de um interrogatório clínico, onde o médico procura encontrar possíveis causas do problema, poderão ser feitos exames para obter alterações que levem ao sintoma de vertigem ou tontura. Os exames complementares são de audição e equilíbrio, de sangue e radiológicos.

Após confirmação do diagnóstico o médico inicia o tratamento, que pode ser feito pelo otorrinolaringologista ou outro especialista, de acôrdo com o problema apresentado.

3. Reabilitação do labirinto

A reabilitação é o tratamento fisioterápico da tontura, que pode ser utilizado com ou sem uso de medicamentos.

Quando a etiologia da tontura é de difícil controle, como no caso da aterosclerose no idoso, a reabilitação é o tratamento de escolha, apresentando bons resultados em 80% dos casos.

A reabilitação hoje, é considerada a melhor opção no tratamento das labirintopatias em que exista sua indicação. Além de apresentar ótimos reultados, não necessita aparelhos especiais, é de fácil realização e pode ser feita em casa.

Eu posso prevenir o aparecimento das labirintites ou melhorar seus sintomas?

Certamente! O melhor conselho que você pode receber é: TENHA UMA VIDA SAUDÁVEL! Observe alguns aspectos em sua vida e veja de que forma voce pode se ajudar:

Evite os maus hábitos. Conforme já vimos, o cigarro, o álcool e o excesso de cafeína podem influenciar negativamente na tontura e no zumbido. Faça exercícios físicos. Está científicamente provado que o exercício bem indicado melhora os níveis de colesterol e triglicérides no sangue, diminui o risco de doenças cardíacas, previne a obesidade e fortalece a musculatura. Voce evita problemas metabólicos e portanto a tontura. A caminhada é a melhor opção. Fracione a sua dieta. Procure alimentar-se a cada três horas, evitando grandes quantidades de comida. O excesso de sal e açúcar não são recomendados. Abuse das frutas, legumes, leite e verduras. Tome muito líquido. São recomendados dois litros de água por dia. A maior filtração renal elimina as toxinas acumuladas pelo organismo. RELAXE. O stress piora qualquer condição orgânica, inclusive a tontura. Procure ter alguns momentos reservados para o seu lazer.

Finalmente, a tontura tem cura?

Se a pergunta for reformulada para: É possível viver sem tontura? A resposta é sim.

Como já comentamos, mesmo que a doença seja de difícil controle, ainda assim é possível viver sem tontura. Com o tratamento adequado o médico especialista (otorrinolaringologista) tem condições de melhorar muito seus sintomas, obtendo a cura clínica da doença.

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